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Início » Críticas do CN42 » Críticas de Séries » Crítica | BoJack Horseman (1ª Temporada)

Crítica | BoJack Horseman (1ª Temporada)

Cauã Cardoso Por Cauã Cardoso
11:06 qui, 20/06/2024
em Críticas de Séries, Séries e TV
Tempo de leitura: 4 mins
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Bojack Horseman em um pôster oficial da série.

Divulgação / Netflix

Nos últimos anos, a Netflix tem sido responsável por adicionar animações bastante ricas em conteúdo para o seu grande acervo virtual. Entre Big Mouth, Midnight Gospel, e Castlevania, BoJack Horseman se destaca com seus dotes únicos.

Uma animação de comédia adulta que acaba por surpreender seus espectadores, rumando para temas existenciais e profundos. Contando a história de BoJack Horseman, dando nome à série, que nos anos 90 protagonizou o famoso sitcom Horsin’ Around.

Agora, mais de vinte anos depois do fim da série, BoJack vive uma vida decante cercada de noites vazias e ressacas constantes. Sua primeira temporada deixa bem claro porque esta série se tornou a favorita de muitos por aí.

Um astro em queda

Divulgação / Netflix

BoJack Horseman (Will Arnett) é um antigo astro de TV que se viu sem rumo após o cancelamento da série que protagonizou. Agora, ele vive em sua mansão nas colinas de Hollywood, dando abrigo para um jovem problemático chamado Todd (Aaron Paul), que vive em seu sofá. BoJack passa seus dias com a ajuda de muito álcool, sarcasmo, e autodestruição.

Entretanto, por trás de tudo isso, está um homem traumatizado e atormentado pelas escolhas de seu passado. Tudo isso vem à tona quando ele conhece a escritora fantasma que irá ajudá-lo a escrever seu livro autobiográfico, Diane Nguyen (Alison Brie), e ambos se tornam grandes amigos. Porém, BoJack passa a desenvolver sentimentos por Diane.

Em outras palavras, esta é uma série sobre um homem esquecido que tenta se reencontrar. Mas há um diferencial, BoJack é um cavalo, e vive em um mundo onde animais agem como pessoas normais em um mundo civilizado. Isso abre portas para o humor ácido da série, que não só faz trocadilhos com este elemento, como também adora tirar sarro da cultura Hollywoodiana que ela mesmo engloba.

Dessa forma, ao longo dos episódios, BoJack tenta passar seus dias lidando com os problemas corriqueiros e esquisitos do dia-a-dia, e até do passado.

Os personagens de BoJack Horseman

Divulgação / Netflix

Agora, o que realmente chama atenção na série é sua incrível escrita, principalmente em relação aos personagens. Todos são multi-dimensionais, possuindo sonhos, ambições, medos e paixões.

Por exemplo; temos Mr. Peanutbutter (Paul F. Tompkins), que é, assim como um BoJack, um antigo astro de sitcom. Exceto que sua série deu bem mais certo, e ele é super bem-sucedido, além de ser o namorado de Diane, o que cria um impasse com BoJack. Também temos Princesa Carolyne (Amy Sedaris), a empresária de BoJack, com quem ele mantém uma espécie de amizade colorida.

Dessa forma, perdões, redenções e ápices são coisas complicadas na série. Personagens não agem como você espera que eles ajam, mas sim como querem. A série é muito “autodependente”, ela tem alma e parece lutar consigo mesma da mesma forma que seus vários personagens conturbados fazem.

Todos esses personagens estão em uma constante batalha contra si, e é incrível como a série constrói suas personas fortes através do humor bem pensado, e do desenvolvimento coeso. É claro que nada disso seria possível sem a ótima atuação de voz por parte dos dubladores, sendo que a maioria são atores talentosos.

Seja na dublagem brasileira ou na original, os personagens parecem que estão conversando naturalmente uns com os outros, dando uma sensação de credibilidade emocional para a obra.

A série está em uma constante luta contra as próprias expectativas do espectador. Ela é, por muitas vezes, brutalmente realista e honesta para o seu tom supostamente descontraído. Isto é bem mais dosado na primeira temporada, mas já é perceptível.

O final de temporada é uma concretização dessas ambições mais sombrias da série, onde BoJack vive uma sequência de sonhos e alucinações insanas. Pode-se perceber a influência de várias séries no roteiro de BoJack durante tais momentos, como Família Soprano, Breaking Bad, e Twin Peaks. Sem dúvidas, o ápice emocional e experimental da temporada, que seria repetido em suas sucessoras com mais frequência.

Veredito

Por fim, pode-se dizer que a primeira temporada de BoJack Horseman é uma disparada e tanto para o cavalo mais bêbado da televisão americana. Além de inserir seus elementos primários com maestria, a série também consegue dar início aos arcos de seu personagem com uma sutileza amarga, mas satisfatória. É aquele tipo de obra que faz você rir, e quando se leva a sério, você percebe, pois já está acostumado a um padrão de comédia.

BoJack Horseman e todas as suas temporadas estão disponíveis na Netflix.

A Avaliação

Crítica | BoJack Horseman (1ª Temporada)

4.5 Pontuação

BoJack Horseman é aquele tipo de obra que faz você rir, e quando se leva a sério, você percebe, pois já está acostumado a um padrão de comédia.

Detalhes da avaliação;

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Cauã Cardoso

Cauã Cardoso

Leitor compulsivo. Entusiasta de séries. Quase um cinéfilo. Obcecado por Sci-Fi e games.

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