Supergirl finalmente chegou e, apesar do que algumas pessoas na internet querem que você pense, o filme é uma boa exploração dessa personagem. A Kara Zor-El de Milly Alcock é menos esperançosa do que seu primo Clark (David Corenswet), e isso cria um equilíbrio muito bonito entre a “verdade” e a “esperança” que esses personagens representam.
Dirigido por Craig Gillespie e escrito por Ana Nogueira, o filme acompanha Kara enquanto tenta encontrar um antídoto para Krypto, depois que o vilão Krem (Matthias Schoenaerts) atira nele com uma toxina que o paralisará lentamente até levá-lo à morte. Isso obriga Kara a trabalhar ao lado de Ruthye (Eve Ridley) para rastrear os Bandoleiros.
Em grande parte da história, Kara percebe que não precisa ficar sozinha, se embriagando em outros planetas para tentar afogar a dor que sente pela perda de Krypton e de seus pais. Mas a dinâmica entre Kara e Ruthye funciona, pois mostra não apenas a inocência de Ruthye diante do mundo, mas também como Kara enxerga tudo de maneira completamente diferente.
Uma dinâmica satisfatória entre Ruthye e Kara
Ruthye procura Kara em busca de ajuda, e ver essa parceria evoluir até o ponto em que Kara passa a compreender Ruthye melhor do que ela mesma é um dos acertos de Supergirl.
Dito isso, o maior problema do filme está justamente na motivação de Ruthye. Sua família é assassinada por Krem, e ela parte em uma jornada de vingança. Até aí, tudo bem. Mas Kara insiste em dizer que Ruthye, na verdade, não quer carregar a morte de Krem nas próprias mãos.
Várias vezes, Kara afirma que Ruthye não deseja realmente fazer o que diz querer fazer, mas o longa nunca mostra ao público por que Kara tem tanta certeza disso. Bastaria um momento de hesitação por parte de Ruthye para que entendêssemos melhor essa percepção. No fim, parece que essa convicção vem mais do desejo de Kara de protegê-la do que da própria vontade de Ruthye.
Krem passa por algumas mudanças
Como vilão, Krem abraça completamente o papel de alguém realmente desprezível. Não existe praticamente nada de redimível nele, e isso funciona dentro da proposta do filme.
Kara não sente qualquer remorso ao persegui-lo pelo que ele fez com Krypto, e o público naturalmente fica ao lado dela durante toda essa caçada.
É claro que essa versão se distancia da graphic novel de Tom King — que serve de inspiração para o filme — e, embora seja uma mudança compreensível, ao mesmo tempo faz com que o personagem perca a sua força. Contudo, às vezes, um longa simplesmente precisa de alguém claramente mau para torcermos contra. Ao menos nesse cenário, Krem cumpre esse papel de forma funcional.
Uma introdução promissora do Lobo
É muito divertido assistir a alguém que ama um personagem há tantos anos finalmente poder interpretá-lo. Esse é justamente o grande charme do Lobo de Jason Momoa.
Fica evidente que Momoa adora o personagem, e vê-lo dando vida ao motoqueiro fumando um charuto foi um bom complemento para o filme.
Lobo funciona, muitas vezes, como alívio cômico. Felizmente, a sua presença não interfere demais nas protagonistas tentando derrotar os Bandoleiros. Foi uma mudança bem-vinda em relação a tantos filmes em que um homem acaba se tornando o principal responsável por salvar o dia. Momoa simplesmente pôde se divertir no papel, e isso foi muito agradável de assistir.
Kara e Clark não são iguais, mas precisam um do outro
Alguns dos momentos mais fortes de Supergirl acontecem justamente nas cenas entre Kara e o Clark de David Corenswet.
Vemos Clark tentando ligar para Kara em seu aniversário repetidamente, acompanhamos flashbacks do primeiro encontro entre eles e mais algumas outras interações. Essas cenas ajudam a dar profundidade à personagem e ao que ela sente.
Ela tem apenas 23 anos, perdeu todo o seu povo e ainda tenta descobrir qual é o seu lugar no universo, enquanto seu primo faz o possível para guiá-la.
Ao mesmo tempo, essas cenas deixam claro que Kara não é apenas uma versão feminina do Superman. Clark é movido pela esperança e sempre procura o melhor nas pessoas. Kara, por outro lado, encara o mundo com muito mais dureza.
Essa diferença reforça a identidade própria da personagem e torna o futuro desses dois kryptonianos extremamente promissor.
Para todas as pessoas que fariam qualquer coisa por seus animais de estimação
Há muito o que apreciar em Supergirl: a mitologia de Krypton, sua criação, a explicação sobre como os sóis afetam os kryptonianos…
Mas, para nós, um dos aspectos mais emocionantes foi a relação entre Kara e Krypto.
Sabemos que eles se amam, mas o filme acrescenta uma camada emocional muito bonita a esse vínculo.
Como pessoas que possuem uma forte conexão com os seus bichinhos, compreendemos perfeitamente por que Kara seria capaz de mover montanhas por Krypto. Foi algo extremamente tocante.
Sim, sabemos que John Wick mata por causa do seu cachorro. Mas não é a mesma coisa.
A dedicação de Kara a Krypto não nasce de um senso de justiça ou vingança. Ela simplesmente ama o seu cachorro.
Achamos isso profundamente identificável. Nossos animais de estimação fazem parte das nossas famílias, e Kara sente exatamente o mesmo.
As garotas imperfeitas também precisam de heroínas
No fim das contas, Kara representa um tipo diferente de heroína.
Assim como Jessica Jones, interpretada por Krysten Ritter no MCU, essa Kara está longe de ser impecável.
Seu cabelo claramente está há dois ou três dias sem ser lavado. Ela usaria a mesma camiseta durante vários dias seguidos e simplesmente não liga muito para a sua aparência. O cabelo está sempre um pouco bagunçado, e isso é muito bom em termos de gerar representações diferentes.
Como pontuado pela própria Milly Alcock, é importante que meninas possam se enxergar em suas heroínas.
Nem todas são deusas impecáveis vindas de mundos escondidos ou sereias ruivas perfeitas.
As mulheres possuem tantas camadas quanto os heróis masculinos, e Kara ajuda a diminuir essa diferença de representação.
No fim das contas, Supergirl consegue transmitir uma sensação inspiradora, mostrando que até mesmo alguém cheio de falhas, traumas e inseguranças ainda pode encontrar força para seguir em frente. É exatamente esse tipo de sentimento que faz a jornada de Kara funcionar.
E, convenhamos… não é exatamente para isso que esses filmes existem?!
A Avaliação
Supergirl (2026)
A direção burocrática impede voos maiores, mas 'Supergirl' conquista com uma Kara Zor-El marcante e a excelente atuação de Milly Alcock.
Detalhes da avaliação;
-
Nota



