Neil Marshall mergulha na sordidez e no sensacionalismo em seu mais recente projeto, Instinto Fatal, tentando utilizar alguns elementos consagrados, mas sem alcançar a força de nenhum deles. O filme começa com um plano em POV noturno que culmina em um assassinato brutal, um momento graficamente violento que permanece em cena por um tempo considerável, insistindo no choque. É brutal, mas vazio e pouco inspirado.
Erotismo sem química
Há uma assassina misteriosa à solta, completamente vestida com um traje de látex no estilo S&M. A polícia local de Malta, liderada pela detetive Claudia Cavara (Giulia Gorietti) e seu parceiro, o inspetor Crawford (Harvey Dean), passa a investigar o caso, amplamente explorado pela imprensa, que apelida a criminosa de “Fantasma Maltês”.
Mas Instinto Fatal não é contado sob a perspectiva deles, optando por Evie (Anna-Maria Sieklucka, da trilogia 365 Dias) como protagonista. Ela chega a Malta para passar férias e se hospeda na luxuosa vila de seu padrasto. Logo se envolve com sua vizinha, Diana (Charlotte Kirk), que compartilha do mesmo apetite sexual. Marshall, que também coescreveu o roteiro com Kirk, tenta construir tensão erótica entre as duas por meio de provocações e flertes constantes. No entanto, a câmera parece mais interessada em objetificar seus corpos do que em desenvolver personagens, adotando um “male gaze” insistente e pouco sutil.
Por mais que Sieklucka e Kirk se esforcem em suas atuações sedutoras, falta química real entre elas. As cenas de sexo são filmadas como um videoclipe polido e superficial, sem intensidade, sem intimidade e sem qualquer carga dramática convincente.
Suspense que nunca engrena
A trama recorre aos tradicionais falsos indícios para brincar de “adivinhe o assassino”, sugerindo Evie, Diana ou algum outro suspeito, mas sem construir suspense genuíno ou envolvimento emocional. O mistério central nunca se torna verdadeiramente intrigante, desperdiçando a chance de transformar Instinto Fatal em um thriller minimamente envolvente.
Claudia e Crawford surgem como detetives ineficazes, constantemente atrasados na investigação, enquanto o elemento procedural parece jogado ali apenas por obrigação narrativa. Quando finalmente conectam os pontos, o impacto já se perdeu.
O ritmo é irregular e arrastado, e os diálogos oscilam entre o cafona e o constrangedor. O terceiro ato é decepcionante, dando a impressão de que Marshall perdeu completamente o controle da narrativa. A história e os personagens carecem de profundidade, e mesmo as cenas de violência, que tentam compensar as falhas do roteiro, acabam soando gratuitas.
Há uma sequência envolvendo o ataque brutal a uma vítima com uma espada, construída como um longo plano aparentemente ininterrupto, repleto de múltiplas facadas. No entanto, em vez de impressionar, a cena parece mais um exercício autoconsciente de choque, priorizando o excesso gráfico em detrimento de qualquer construção dramática.
No fim das contas, Instinto Fatal aposta no choque e na exploração visual, mas falha em entregar suspense, erotismo ou impacto duradouro.
A Avaliação
Instinto Fatal (2025)
Instinto Fatal tenta unir erotismo e suspense policial, mas falha na química das protagonistas, no desenvolvimento do mistério e na construção dramática.
Detalhes da avaliação;
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Nota

