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Início » Críticas do CN42 » Crítica | Vidas Entrelaçadas (2025)

Crítica | Vidas Entrelaçadas (2025)

Matheus Ramos Por Matheus Ramos
19:04 qua, 15/04/2026
em Críticas de Filmes, Críticas do CN42, Filmes
Tempo de leitura: 3 mins
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Vidas Entrelaçadas

Divulgação / CG Cinéma

Várias histórias do mundo da moda são costuradas em Vidas Entrelaçadas, um filme cujo título original (Couture) faz referência não apenas à alta-costura em si, mas também à ideia mais ampla de costuras. Emocionais, psicológicas e físicas. Alice Winocour aborda diferentes narrativas ambientadas durante a lendária Semana da Moda de Paris. Um turbilhão de dias que se mostra complicado para muitas das pessoas envolvidas nesse universo. O filme não busca expor completamente as contradições ou as crueldades da indústria, mas revela o seu lado mais sombrio. As dificuldades e as vulnerabilidades por trás do brilho das passarelas.

Entre glamour e fragilidade

No centro da história está Maxine, interpretada por Angelina Jolie. Em vez de viver uma estilista ou modelo, Jolie assume o papel de uma cineasta americana de terror com raízes no cinema independente, convidada a Paris para filmar um curta de vampiro que acompanhará um desfile. Ela pretende permanecer na cidade para produzir um longa-metragem depois disso. Porém, quase assim que chega, recebe uma ligação que o público reconhece imediatamente como grave. Um médico viu os resultados de sua biópsia e insiste para que ela procure atendimento médico urgente em Paris. Maxine, focada em seu projeto, ignora o aviso, mas a tensão permanece.

Outra trama acompanha uma modelo de 18 anos do Sudão do Sul, escolhida para aparecer tanto no curta de Maxine quanto na passarela. Sem experiência, sem certeza de que deseja seguir na moda (ela estuda para ser farmacêutica) e mal conseguindo andar de salto alto, ela é lançada em um ambiente altamente competitivo e precisa decidir rapidamente se esse mundo realmente é para ela.

Histórias que se cruzam

Unindo essas histórias está Angèle (Ella Rumpf), uma maquiadora que circula entre desfiles e ensaios, tentando apoiar as jovens com quem trabalha enquanto registra discretamente as suas histórias em um caderno. Ela sonha em publicá-las um dia e, de certa forma, Vidas Entrelaçadas parece ser a versão cinematográfica dessas observações. Uma coletânea de momentos breves, mas reveladores, por trás do espetáculo.

Outros personagens completam o conjunto. Louis Garrel como um diretor de fotografia ligado a Maxine, Vincent Lindon como o seu médico, além de uma costureira e outras modelos lidando com o caos da Semana da Moda. Ainda assim, a estrutura episódica do filme é tanto a sua força quanto a sua fraqueza. Nem todas as histórias têm o mesmo peso, e a constante alternância entre elas dilui um pouco o impacto geral.

Mesmo assim, Jolie sustenta o filme com sua presença magnética. O conflito interno de Maxine, dividida entre ignorar sua saúde e seguir sua arte, ressoa, e Winocour utiliza o corpo da personagem, marcado pela possibilidade de uma cirurgia, para ampliar a metáfora das “costuras”. Não apenas nas roupas, mas nos corpos frágeis que existem sob elas. Quando um grande evento da Semana da Moda é literalmente destruído por uma tempestade repentina, Vidas Entrelaçadas deixa claro a sua mensagem. Se trata de uma indústria que exige tudo de quem trabalha nela, mesmo que o espetáculo possa desaparecer em um sopro de vento.


A Avaliação

Vidas Entrelaçadas (2025)

3.5 Pontuação

Com Angelina Jolie em destaque, Vidas Entrelaçadas revela as fissuras do glamour, mas se enfraquece ao dividir suas histórias.

Detalhes da avaliação;

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Matheus Ramos

Matheus Ramos

Apaixonado por Cultura Pop. Graduado em Jornalismo e buscando o meu glorioso propósito.

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