Crônicas de Noreloke: A Cavaleira de Fogo é um livro de fantasia da autora brasileira Náthalie Siqueira, publicado pela editora Viseu.
O livro, que embarca em uma aventura de fantasia com dragões e magia, em um mundo totalmente criado pela autora, já está disponível para compra, tanto em formato físico como no Kindle Unlimited.
Nós, do Código Nerd, tivemos a oportunidade de ter uma conversa exclusiva com a autora para entendermos um pouco mais sobre este universo criado por ela. Confira a seguir.
Do que se trata as Crônicas de Noreloke: A Cavaleira de Fogo

[Código Nerd] Sobre o que é sua história? E como nasceu mundo de Norelöke?
[Náthalie Siqueira] “É a história da Nika Narënis descobrindo e lidando com o seu destino como Cavaleira de Fogo. Ela busca paz, nunca quis a fama e honra de ser uma Cavaleira, mas o mundo a persegue e força que lute por ideais que não são os seus, enquanto ela tenta entender os seus próprios poderes e em quem pode confiar.”
“Esse universo nasceu durante uma época muito conturbada da minha vida. Eu estava bastante insatisfeita com o meu trabalho, me sentia muito presa, forçada por pura necessidade capitalista de fazer a mesma coisa todo dia. Então minhas viagens diárias de metrô viraram meu tempo de fantasiar uma história mais interessante.”
[CN] Fantasia costuma exigir muito trabalho de construção de mundo. Este foi o seu primeiro romance escrito? Por onde você começou: pela história, pelos personagens ou pela mitologia?
[N.S.] “Eu tinha muito claro o começo da história e o fim. Eles vieram juntos e de forma muito fácil. A Nika era uma personagem que eu já tinha de outras histórias, mas para ser sincera, o personagem principal era um homem antes. Mas, eu não gostei da ideia de escrever mais um personagem masculino com poderes mágicos, e a personagem feminina poderia trazer outras discussões na história. Além de eu conseguir me conectar mais com ela.“
“O meio da história foi o meu maior desafio. Porque na minha cabeça era um caminho simples, mas isso era sem graça.”
“Então, o meio, eu fui trabalhando conforme fui escrevendo, tentando imaginar o que eu, como fã de fantasia, gostaria de ver em uma história assim. Foi muito desafiador, porque eu comecei a entender que algo que eu coloco na história no começo pode impactar muito mais para frente. Tive que começar a fazer anotações para não me perder, principalmente com idades, gerações, nomes de personagens secundários. Pensar mapa, distribuição do espaço, quantos dias de cavalgada levou de um lugar para outro e se no mapa isso fazia sentido. Até a questão da distribuição das tatuagens, porque isso é um ponto que se repete depois ao falar dos elementos, foi algo que eu mudei algumas muitas vezes enquanto escrevia.“
“A mitologia é de longe a parte mais complexa para mim. Para ser sincera, eu ainda não consegui resolver completamente o sistema de deuses de Norelöke ou como funciona a magia nesse universo. É o que agora estou trabalhando com mais intensidade, porque no segundo livro pretendo aprofundar mais nessa parte.”
“Eu já tinha escrito contos e histórias curtas antes, nada publicado, mas principalmente fan-fiction. Eu sentia muita dificuldade antes de criar uma história 100% minha, sempre acabava seguindo já uma base de outro escritor. Então, além de ser o meu primeiro livro, foi a minha primeira história completamente autoral.”
[CN] O conflito entre Império e Resistência lembra debates muito atuais sobre poder, liberdade e controle. Essas semelhanças foram intencionais ou surgiram naturalmente durante a escrita?
[N.S.] “Foram intencionais. Na época eu estava muito envolvida com movimentos feministas e lutas sociais, e uma coisa que eu percebia era que a dualidade entre Direita e Esquerda era muito mal aplicada na discussão.“
“Claramente o facismo do Império é ruim, o Imperador odeia os humanos, mas a propaganda consegue convencer as pessoas de que ter alguém completamente de fora da sua realidade é o melhor. Ao mesmo tempo, a Resistência sofre em se comunicar com o povo comum, é percebida como algo à parte da sociedade, e não consegue ter ações efetivas na luta contra o facismo.“
“Isso tudo se conecta com o que a gente viveu nos últimos anos, não só no Brasil como no mundo. Uma Direita extremista que consegue convencer a população de que o liberalismo é a solução para tudo. Uma Esquerda que foca em discussões pequenas, briga muito entre si, e não consegue lutar de igual com as elites. E ambas mais preocupadas em defender seus ideais do que colocá-los em prática. O livro foi escrito durante o crescimento do Bolsonarismo, e isso tudo era muito claro na época.“
Desafios e influências
[CN] Qual foi o maior desafio ao escrever o livro?
[N.S.] “Escrever o livro! Brincadeiras à parte… foi expandir uma história curta que eu tinha na cabeça para se tornar algo aprofundado e que eu gostaria de ler. Eu tinha muito medo de me perder no meio do caminho, de cometer falhas de criação de universo, de estar cometendo erros em questões simples, mas que estão fora da minha realidade, como andar de cavalo ou usar uma espada. Então eu fazia muitas anotações e muita pesquisa para coisas que eu nunca imaginaria precisar aprender.“
“Algo que foi muito desafiador durante todo o processo foram os nomes. Criar uma variedade de nomes e sobrenomes, que não fiquem parecidos, que não sejam repetitivos. Eu segui muito uma estética ‘nórdica‘ nesse sentido, então era uma constante de pesquisas como ‘nomes nórdicos‘, ‘nomes saxões‘, ‘nomes irlandeses’ e coisas do tipo. Também tentei pesquisar prefixos e sufixos em élfico, d’O Senhor dos Anéis. Então Narënis significa ‘Senhora do Fogo’, Norëloke é a ‘Terra do Dragão’.”
[CN] Se você pudesse apresentar apenas um elemento do universo de Norelöke para convencer alguém a ler o livro, qual escolheria?
[N.S.] “Que a Nika não está buscando ser uma heróina, ela está sendo forçada a ser uma. Em todo momento ela busca ser livre, ter uma vida comum e em paz. Ela não tem esse sonho de ser importante ou de libertar o mundo. Ela tem medo disso, é uma responsabilidade enorme que ela nunca escolheu.“
[CN] Sua bio no site da Amazon diz que você aprendeu a ler e escrever muito cedo com seu avô, que também era escritor. Qual foi a maior influência dele na forma como você enxerga a literatura hoje?
[N.S.] “Influência completa e indiscutível. Meu avô teve uma participação muito grande na minha criação, e ele me incentivava muito a ler. Não só ler por ler, mas entender o que eu estava lendo, tirar lições de cada história, aprender com os livros.“
“Eu tenho hiperfantasia, então me afundar em universos complexos era muito fácil. Eu agradeço muito por ele ter me levado para pegar livros na biblioteca ao invés de dizer que ler fantasia era ‘besteira’, como eu ouvi de muitas pessoas durante a minha vida.“
“Era algo que nos conectava muito. Essa paixão por histórias que vão além do comum. Agradeço demais por ele ter me apresentado ao mundo da fantasia.“
[CN] Quais autores, livros ou outras mídias mais influenciaram a criação de Crônicas de Norelöke?
[N.S.] “Na época eu tinha acabado de conhecer o universo gigantesco d’A Roda do Tempo, então tava muito com essa ideia do ‘Dragão que vai salvar e destruir o mundo’, o que aparece bastante no meu livro também.“
“Sou muito fã de Avatar: a Lenda de Aang, que trouxe bastante da ideia de controlar os elementos.“
“Além disso, O Senhor dos Anéis eu acho que é uma inspiração para 90% dos escritores de fantasia épica. Eu não queria seguir o seu estilo de escrita, não sou tão detalhista quanto o Tolkien, mas muito do universo, raças e monstros, foi inspirado nele.“
“Outras obras como Eragon e Crônicas do Mundo Emerso foram grandes inspirações também.“
[CN] Você é fã de fantasia. Há alguma obra que fez você pensar: “É esse tipo de história que quero escrever”? Além da literatura, jogos, filmes ou animes que também influenciaram a construção desse universo?
[N.S.] “As Crônicas do Mundo Emerso foram uma grande inspiração nesse sentido de ‘história que quero escrever’. Uma personagem feminina que sai do padrão, mas que tem dificuldades que uma pessoa comum pode se conectar. A jornada de autoconhecimento da Nihal, e a sua relação com Senar, toda a construção do universo. É simples, é direto, mas ao mesmo tempo profundo e bem pensado.“
“Já citei Avatar: a Lenda de Aang antes, mas realmente sou muito fã de todo o universo que eles criaram. E tem os melhores arcos de crescimento de personagem que eu já vi em uma história.“
“Tem um filme que eu amo de paixão, é baseado em um livro, mas foi o único caso na minha vida de ‘filme melhor que o livro’: O Senhor dos Ladrões. É uma história tão imersiva e deliciosa, os personagens são ‘comuns‘, o que torna tudo tão mais próximo e real.“
“Por fim, Final Fantasy XII é o jogo que eu mais amo na vida. Foi uma grande inspiração de história e estética. Também a ideia RPG de viajar por um mundo inteiro para alcançar algo no final, com paradas claras e etapas de crescimento.“
O futuro da saga
[CN] Sem revelar spoilers, o que os leitores podem esperar dos próximos livros da saga? Há outros projetos que você pretende explorar no futuro?
[N.S.] “Enquanto o primeiro livro foi muito sobre a queda da Nika, a sua luta interna que consome a vontade de seguir em frente, o segundo vai ser sobre o seu processo de cura, de fortalecimento. Vai apresentar mais sobre o sistema de deuses e magia, mostrar outros lugares do continente.“
“Algo que eu acho muito legal é que vai ter uma parte do livro focada em outros personagens, como o Ike e a Anya, mostrando a luta de todos em outros pontos do Império.“
“Também vai ter um inimigo novo e diferente, que vai aprofundar mais essa quebra da dualidade entre bem e mal, além de explicar melhor o que aconteceu no final do primeiro.“
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Aguardo ansiosamente pelo segundo livro. Sou a maior fã da autora e tenho muito carinho e admiração pelo trabalho e pela trajetória dela. Que venha muito sucesso 💜