Dirigido porJoachim Trier, A Pior Pessoa do Mundo já é um dos filmes noruegueses mais reconhecidos dos últimos anos. Além da atriz Renate Reinsve ter vencido o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes 2021, o longa está concorrendo ao Óscar 2022, na categoria de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional.
Dividido por: prólogo, doze capítulos e epílogo, o filme narra alguns períodos da vida de Julie (Renate Reinsve), uma jovem mulher com uma movimentada vida amorosa, que também luta para encontrar seu caminho profissional. Então, ela embarca em uma imensa jornada para descobrir quem realmente é.
A conexão estabelecida em A Pior Pessoa do Mundo

Um dos maiores feitos do filme é como ele nos transparece ser real. As pessoas agem como pessoas e as vivências chegam a ser até cotidianas demais. Conseguimos ficar do lado de todas essas pessoas e compreendê-las, em algum momento. É muito fácil se relacionar com cada momento mostrado e, ainda sim, termos o benefício de poder questionar.
Dessa forma, a montagem determina a dinâmica do filme. Afinal, a estrutura de como a história vai ser contada não é nada convencional. Então, os capítulos se intercalam de maneira natural, mesmo que alguns sejam menores do que outros (o que é proposital).
O filme não tem medo de abraçar o lúdico. Não há apenas a cena em que alucinamos junto com Julie; mas, temos um belíssimo momento onde o mundo inteiro congela e sentimos sua felicidade naquele momento, o que foi uma excelente representação.
O humor é um daqueles que não falha. Existem cenas naturalmente cômicas e que nos despertam um sorriso. Perceba também, como há sinestesia em muitos momentos, onde conseguimos reproduzir aquela sensação, cheiro, etc. Nesse sentido, conseguimos nos conectar a tudo o que está sendo mostrado e nos importar com o que ainda virá.
A descontrução de Julie

Julie é uma personagem repleta de camadas. O que nos deixa tão próximo dessa protagonista, se deve ao fato de ela ser uma representação da nossa geração atual. Ela se mostra impulsiva, complicada, mas confiante em suas decisões; e está constantemente mudando o curso de sua vida. Vemos isso no prólogo e sendo destrinchado nos doze capítulos.
O filme não diz que ela é A Pior Pessoa do Mundo, mas, que isso dependerá de diferentes perspectivas e pessoas. Novamente, o filme lida com seres humanos, que: são felizes, indecisos, se esgotam, voltam ao estado estável e erram. Todos estão suscetíveis e ninguém é ”preto no branco”.
Por isso, Julie é tão fácil de se afeiçoar, ela está tentando achar seu lugar. O filme trabalha bem essa ideia de que todos possuem o direito de se afastar de qualquer relacionamento, onde não se sentem compreendidos ou estejam em um período em que não faça mais sentido. Tudo é mutável e sempre devemos nos sentir bem, por isso ela dialoga tanto com as pessoas no mundo atual, pois hoje podemos usufruir mais dessa liberdade.
Renate Reinsve é impressionante nesse papel, conseguindo transmitir toda a complexidade de sua personagem, incorporando Julie e mergulhando nessas vivências com muita vontade. Anders Danielsen Lie também se destaca, seu olhar é sincero e, mais uma vez, é um exemplo de como o filme retrata suas figuras com multifacetas.
Portanto, A Pior Pessoa do Mundo está longe de ser mais um típico romance. É um filme que trabalha sua imprevisibilidade, junto com a vida e momentos desses personagens. Existe espaço para fantasia, mas, ele impressiona quando é para sair da tela e plantar um pensamento na nossa cabeça. E mesmo que seja triste, Julie finalmente achou sua vocação.



